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André Ventura “fala a duas vozes”: Condena e Compreende os invasores dos poderes em Brasília e chama bandido a Lula

O Parlamento aprovou por unanimidade um voto apresentado por Augusto Santos Silva de condenação pela invasão e vandalização das principais instituições brasileiras no passado domingo, no entanto André Ventura, que desta vez não apresentou o falso argumento dos infiltrados, disse compreender “a fúria e angústia de milhões de brasileiros ao verem o seu país governado por um bandido”. O que motivou a repreensão por parte do presidente do parlamento por ter usado uma expressão injuriosa e ofensiva, em violação do Regimento da Assembleia da República, atingindo um chefe de Estado de “um país amigo de Portugal”.
A intervenção do líder do Chega provocou reações dos outros partidos, com destaque para Pedro Delgado Alves que não poupou o líder do partido de extrema-direita, que “ignora intencionalmente o estado direto brasileiro, que é quem se pronuncia sobre quem é acusado ou não é acusado pela prática de um crime, e que determina quem cumpre penas e quem é inocentado, não é seguramente o senhor deputado André Ventura”.
Rui Tavares do Livre disse que o que se passou em Brasil, está a passar-se também em Portugal” e que André Ventura “condena de um lado, mas não condena do outro, fala a duas vozes, com duas línguas, e fala também para quem em Portugal já se manifestou em frente ao Tribunal Constitucional e lá deixou uma corda com uma forca”.
Pedro Delgado Alves do PS foi o primeiro a responder a André Ventura:

Pensa que nos toma a todos por parvos, pensa que nos toma a todos por desconhecedores do que é a realidade, ao dizer que compreende as razões de quem sobe a rampa do Palácio do Planalto para invadir as instituições brasileiras, ignorando o Estado de Direito, ignorando o resultado das eleições, ignorando a forma como em democracia se resolvem os diferendos e os dilemas que as democracias enfrentam. Fazendo de conta, que esse fator não é o que instiga esse movimento, que essas palavras não é o que mobiliza as pessoas contra a democracia. É tomar-nos por parvos e é hipócrita na forma como o faz.
No uso da palavra nesta câmara, ignora intencionalmente o estado direto brasileiro, que é quem se pronuncia sobre quem é acusado ou não é acusado pela prática de um crime, e é o estado brasileiro, são as instituições da república federativa do Brasil e do seu judiciário que reconhecem a manipulação dos projetos judiciais e que determinam quem cumpre penas e quem é inocentado, não é seguramente o senhor deputado André Ventura.
E diz mais, como se atura uma pessoa que fez o que fez ao Brasil, de facto essa é a pergunta, como é que se tolera alguém que acabou com a fome, como é que se tolera alguém que levou centenas de milhares de pessoas, negros que nunca tiveram a possibilidade de se aproximar de uma universidade, a terem um curso superior, quem é que garante a dignidade das centenas de milhares de empregadas domésticas que não tinham contrato de trabalho e não tinham nenhuma garantia de dignidade da sua atividade.
Ao mesmo tempo que não faz a pergunta, então o que fez o ex-presidente do Brasil, que desvalorizou durante quatro anos as instituições democráticas e parlamentares da República Federativa do Brasil, que ameaçava veladamente, quando não expressamente o judiciário, cujo
o filho dizia que um cabo e um sargento é suficiente para fechar o Supremo Tribunal Federal. O que ficou demonstrado, a robustez das instituições brasileiras, o que demonstraram é que não chega um cabo e um soldado, não chega sequer uma turma de bárbaros para fechar o Supremo Tribunal Federal, porque a democracia brasileira resistiu, e é isso que hoje esta câmara vai fazer daqui a instantes, vai saudar a resistência da democracia brasileira, vai saudar as instituições brasileiras, e vai acima de tudo recusar aqueles com o seu silêncio cúmplice, aqueles que durante anos instigam, aqueles que estavam ausentes quando ocorriam todos os atentados à democracia brasileira, às democracias dos outros estados do Mundo, mais não conseguem dizer, num momento desta natureza, do que procurar relativizar, desculpar, e arranjar alguma forma que os seus aliados políticos não surgem mal na fotografia, mas isso é impossível.
Esta Câmara, esta república portuguesa, irmã da república federativa do Brasil, é com orgulho que condena o que aconteceu e que saúda a sobrevivência da democracia no Brasil.

Tiago Moreira de Sá disse que a “transição pacífica de poder é o coração da democracia” e declarou que o PSD “condena de forma veemente” os acontecimentos no Brasil e solidarizou-se com as instituições democráticas brasileiras.
Joana Mortágua do Bloco de Esquerda também respondeu a André Ventura:

Má consciência é o que nos traz aqui a este deputado, má consciência do partido Chega que apoio Bolsonaro, como apoiou Trump, que se disse bolsonarista, e portanto não consegue condenar inequivocamente a invasão dos poderes democráticos no Brasil.
O Brasil atravessou uma das mais violentas ditaduras militares do século XX, não deixa de ser por isso uma dor e uma tragédia ver aqueles bolsonaristas, aqueles extremistas, que invadiram o Palácio do Planalto, trazerem a versão original da constituição de 1988, em símbolo de profundo desrespeito pela democracia e de ataque às instituições democráticas constitucionais.
O guião estava escrito, que foi seguido pelos militantes bolsonaristas na invasão às instituições democráticas em Brasília, no Planalto, foi o mesmo guião seguido pelos militantes trumpistas, quando invadiram o Capitólio, ambos por uma razão, porque não reconheceram quando os seus candidatos perderam nas urnas, os candidatos apoiados pelo Chega.
As razões que André Ventura aqui diz reconhecer aos manifestantes, as razões são apenas uma, não reconhecer os resultados eleitorais, não reconhecer que Jair Bolsonaro perdeu e que Lula da Silva é o presidente democraticamente eleito do Brasil, são essas as razões que André Ventura diz não compreender.
Portanto, não deixemos levar-nos pela tentativa de mascarar esta má consciência, sabemos bem que a extrema-direita ou ganha nas urnas ou tenta ir lá pela violência, sabemos bem que o discurso ao ódio, foi o discurso de Bolsonaro, que a extrema-direita apoiou, sabemos bem quem são e foram os seus candidatos…

A deputada do PAN, Inês Sousa Real, observou que nos incidentes em Brasília houve também violência contra animais das forças de segurança e, olhando para a bancada do Chega, declarou: “Não passarão”.
Rodrigo Saraiva da Iniciativa Liberal, disse que o único desejo é que o Brasil “alcance ordem e progresso, respeitamos a vontade soberana do povo brasileiro e, por isso, repudiamos o que aconteceu na Praça dos 3 Poderes em Brasília”.
Bruno Dias do PCP condenou “o ato de caráter golpista” em Brasília, pediu a condenação de todos os que protagonizaram e conspiraram para a concretização daquela ação antidemocrática, advertiu para os perigos das “ameaças fascizantes”, e afirmou que o PCP “reitera a sua solidariedade para com o presidente Lula da Silva, às instituições da república federativa do Brasil… Por muito que custe aos golpistas da extrema-direita, será o povo brasileira, serão os povos das Américas e do Mundo, os protagonistas e os construtores da história”.
Rui Tavares do Livre teve direito a um minuto:

O que aconteceu em Brasília, a invasão, por quem vandalizou, roubou, partiu,… não nos pode deixar indiferente, mas a melhor condenação que podemos fazer ao que se passou no Brasil é estarmos atentos. O que se passou em Brasil, passou-se no Capitólio, em vários outros países, e está a passar-se também em Portugal. A suposta condenação clara e inequívoca, é do claro mais fosco e do inequívoco mais equivoco que poderia haver, condena de um lado, mas não condena do outro, fala a duas vozes, com duas línguas, e fala também para quem em Portugal já se manifestou em frente ao Tribunal Constitucional e lá deixou uma corda com uma forca.
Em quem, só gosta da democracia quando ganha, quando perde, rouba eleições, violenta e invade os espaços democráticos, e o facto de, vir fazer aqui a declaração clara e inequívoca, mais fosca e equivoca do que é capaz, estejamos atentos para que em Portugal não aconteça o que aconteceu no Brasil.

Intervenção de Pedro Delgado Alves:

Intervenção de Joana Mortágua:

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