André Ventura, Catarina Martins, Cheganos Oficiais

André Ventura nem nos debates consegue cumprir as Regras e os Comentadores do Expresso dão a vitória a Catarina Martins quase por unanimidade

Antes do frente-a-frente na SIC Notícias, os lideres do Chega e do Bloco de Esquerda acordaram não interromper os adversários políticos. No entanto, mais uma vez o ex-comentador desportivo, que tratou várias vezes a sua oponente como atriz, não conseguiu manter o acordo, e ainda antes do segundo minuto fez vários comentários enquanto Catarina Martins apresentava os seus argumentos. Foi várias vezes alertado pela apresentadora, ao ponto dos cronómetros terem que parar, para um último aviso:

Está a ir contra as regras que acertámos antes deste debate.

Quando Catarina Martins quis interromper no final, André Ventura lembrou-se do acordo, que até lhe dava o direito de ser o último a falar: “Não vai falar mais”.
Os comentadores do Expresso, Daniel Oliveira, Cristina Figueiredo, Eunice Lourenço, David Dinis e Martim Silva, deram a vitória quase por unanimidade a Catarina Martins.

Daniel Oliveira: Catarina Martins – 7 x 5 André Ventura

Pela primeira vez, um dirigente de esquerda conseguiu impedir a sabotagem. A todas as interrupções, Catartina Martins nunca se deixou levar. Nunca baixou o nível ou perdeu a calma. Os dois candidatos falavam para os seus potenciais eleitores, não a indecisos entre si. E Catarina Martins precisava de deixar claro que a simetria entre Ventura e ela são absurdas. O que deixou alguns comentadores dececionados. E centrou o debate no terreno que Ventura costuma tentar focar sozinho: na corrupção. Ventura disse para marcar o dia e a hora para debater a corrupção. Faltou, no parlamento, quando se votaram as medidas anticorrupção. Como o conteúdo conta, deve-se reforçar que não teve medo de defender a decência, seja sobre imigrantes ou os mais pobres, mesmo em temas que podem ser impopulares. Foi inteligente na utilização do Papa Francisco no confronto com Ventura.

Martim Silva: Catarina Martins 4 – 2 André Ventura

Catarina Martins procurou levar o debate para temas como a corrupção, tentando combater André Ventura em áreas com que este adora encher a boca. A opção era difícil e arriscada, convenha-se. De qualquer forma, André Ventura (com um discurso que, há que reconhecer, é fácil e pode ter impacto) continua a querer assustar e a usar o discurso do medo, dizendo por exemplo que o RSI é “distribuir subsídios para o pessoal” ou que o apoio aos refugiados e migrantes cria subsidio-dependência. Quem o faz não pode, necessariamente, ter uma avaliação positiva.

Cristina Figueiredo: Catarina Martins 7, André Ventura 7

A coordenadora do BE trazia a lição bem estudada e manteve-se disciplinadamente dentro do guião, sem se deixar distrair pelas provocações (que já sabia que as teria) do adversário. O presidente do Chega, por sua vez, conseguiu deixar de ser o candidato mal-educado que tínhamos visto em anteriores debates (nas presidenciais). Só por aí, nota positiva para ambos. O debate acabou por afunilar no combate à corrupção, responsabilidade sobretudo de Catarina Martins, que logo na primeira pergunta quis levar a conversa para aí. Não é líquido que tenha sido uma aposta vencedora, até porque (como seria de esperar) a André Ventura não lhe faltavam respostas num território que, a bem dizer, é a sua praia. Feitas as contas, cada um falou para os seus eleitorados e, nessa tarefa, foram ambos bem-sucedidos. Se os eleitorados de cada um são suficientes para que consigam o almejado terceiro lugar nas legislativas… essa é outra conversa.

David Dinis: Catarina 4 – Ventura 1

Ventura está mais agressivo, mais demagogo, mais insultuoso, mais irascível, mais perigoso do que nunca. Ventura foi, porventura, eficaz para os seus, leva um ponto, porque um ponto é o melhor que se consegue dar a quem entra num debate como se entrasse no Squid Game. Catarina Martins foi cilindrada com ataques e muitos insultos e, em contenção (lembram-se de Marisa Matias?), só mais perto do fim decidiu dizer a verdade: “André Ventura é um condenado por racismo”. Pois é, mas Catarina foi pouco eficaz.

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